desistir

-“Vim daí, de onde ninguém sabe, andei por onde ninguém quer, visitei lugares que nem eu queria e sucumbi à miséria psicológica: um cérebro mimado. E não pensei que sobrevivesse. Não pensei que os braço fossem para trabalhar, embora os visse, aos braços dos outros, trabalhar todos os dias. Sempre pensei que valia a pena desistir, extinguir a vida era o melhor, e só lamentava desconhecer a morte. Avisei o silêncio, vou desistir ”- narrou a Maria -”Puta de vida esta, a minha! Que eu havia de ter… um infindável ir e vir… partir e chegar… carregando sacos imundos, cheios de nada.” – e não terminou – “Fechei a porta mas deixei um candeeiro de luz ténue, bem sei, para iluminar-lhe a alma, não fosse esquecer-se que o caminho não se faz de braços caídos, nem escondendo a cara comprometida com o passado, que se conta com seringas, esmolas, sem caminho, errante e errado”- Recostou-se resignado, entre triste e orgulhoso.

O Ladrão (rascunho), Ago. 2016, Franz E.

 

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Sobre Franz E.

Escritor de gaveta... por enquanto... é difícil nascer escritor... nem sei se o desejo... ou se o conseguirei! Ainda não lhe encontrei sentido nem coerência, muito menos utilidade para quem lêsse. Agora, a escrever para um dia ser livro, talvez... quem sabe.
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